sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mostra Marginal de Curtas exibirá curta pernambucano e clássico da Bueiro Aberto


Nesse sábado, 03/10, a Mostra Marginal de Curtas no Sarau Carolina, dessa vez no Espaço Arranca, mantém sua tradição e exibirá curtas independentes fora do circuito comercial.


MALUNGUINHO

O primeiro curta a ser exibido é atual e foi feito no estado de Pernambuco. Com forte veia poética e a participação mais que especial do escritor Miró da Muribeca, Malunguinho, de Felipe Peres Calheiro, conta a história de um escravo que liderou o quilombo de Catucá, nos arredores de Recife, no início do século XIX. Apesar de ter sido assassinado em 1835, ainda hoje é cultuado pelos praticantes da Jurema Sagrada, religião de matriz indígena com influências africanas no nordeste do Brasil.

Com a mistura frenética entre ficção, um pouco de documentário e poesia, a fotografia nos insere no contexto dos canaviais pernambucanos e do sofrimento do povo negro com planos que misturam a escuridão da mata e a luz do fogo das queimadas. Sentimos a peculiaridade regional também através do áudio que nos faz estar dentro da natureza, o som dos rios e do fogo.

Um retrato da resistência e da repressão presentes na história do Brasil.

DIREÇÃO: Felipe Peres Calheiro



QUEM MATOU A EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO?

Num momento em que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em mais um dos seus ataques à educação, decide fechar escolas e piorar o que já está muito ruim devido à sua péssima gestão, vamos rodar um curta feito pela Companhia Bueiro Aberto, numa parceria com o espaço Cultural Mané Garrincha, em meio à greve deste ano dos professores estaduais, que participaram da produção cinematográfica.

Num suspense policial, "Quem matou a educação de São Paulo?"fala de um delegado que investiga o assassinato da educação paulista através de um interrogatório com a professora Maria no intuito de conseguir elaborar um retrato falado do assassino. Aos poucos, a descrição vai sendo feita até que finalmente achamos o culpado. E adivinhem só, quem é o bandido?

O curta foi gravado no processo de greve e feito de forma espontânea e experimental.

DIREÇÃO: Caio Fiumari








O poeta Miró da Muribeca como narrador do curta Malunguinho










quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Filmes da Bueiro Aberto serão exibidos no Instituto Federal (SP) nessa quinta

Nessa quinta-feira, dia 24/09, durante a Semana de Tecnologia do IFSP, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de SP, entre diversas atividades culturais, rolará exibição tripla de filmes produzidos pela Companhia Bueiro Aberto. E ainda haverá debate com os diretores Daniel Neves e Renato Queiroz que falarão um pouco sobre as obras. Grande satisfação apesentar com tanta amplitude parte da nossa produção e excelente oportunidade de difusão do cinema independente e periférico.

Os filmes exibidos serão:

CONTRAVENÇÃO (15 min. 2015): a história de Fernando e Teresa na luta para se libertarem da imposições da sociedade do trabalho

NUMA RODA DE CHORO (32 min. 2015): documentário que retarta uma roda de choro que ocorre na periferia de Guarulhos

BAMBA DE VILA (30 min 2015): documentário sobre sambistas anônimos do JD. Tranquilidade, Guarulhos


HORÁRIO: 19: 30 hrs.
LOCAL: Teatro do IFSP, Rua Pedro Vicente, 625 - Canindé, SP, próximo ao Shopping D e do metrô Tietê
DATA: 24/09, quinta-feira







Numa Roda de Choro foi gravado na periferia de Guarulhos com
diversos músicos populares. Feito logo depois de Bamba de vila,
é mais um marco do nosso interesse pela cultura popular.




Contravenção foi nossa primeira ficção propriamente dita. Com cenas
na periferia,  no centro e no parque Bosque Maia, o filme narra a
luta de Fernando e Teresa para escaparem da rotina do trabalho,
o que pode ser um crime grave.



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Mostra Marginal de Curtas exibirá 2 novas produções


Como já é de praxe, a Mostra Marginal de Curtas no Sarau Carolina, organizada pela Companhia Bueiro Aberto em parceria com o Jornal Dialética, volta a exibir dois curtas independentes.

O primeiro é a estréia na direção do poeta e ator Juliano Lourenço, que também lançará um livro no dia. Nas palavras do diretor, o "Da violência que a gente deseja" surge da dialética proposta pelo próprio título: Poderia haver uma violência desejável? Explorando o desejo dentro do caos das cidades e o ponto de vista estereotipado em que esse é colocado, pondo em xeque o mundo das aparências, o curta é como uma pedra silenciosa quebrando os espelhos da sociedade, há um desfecho inusitado que nos leva a refletir acerca do que é imposto em nossas vidas e da possibilidade de ruptura desses pressupostos. Provocada a partir da demonstração de afeto/carinho e da quebra dos padrões consumistas, estes que fabricam humanos semelhantes a máquinas, pessoas sem quaisquer reações sensíveis ao meio que os cerca.

Duração (6 min.)
Ano (2015)


O segundo curta a ser exibido é "Mono", produzido por jovens estudantes de cinema parceiros e dirigido por Yudji Oliveira, a obra se constitui como um experimento cinematográfico baseado no cotidiano tedioso e monótono. Há um retrato da rotina urbana escrachada por seus ruídos desconexos.

Duração (5 min.)
Ano (2015)


Sábado agora, não percam:







(Trecho do curta "Da violência que a gente deseja", de Juliano Lourenço)





quarta-feira, 26 de agosto de 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Contravenção será exibido na Semana do Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi


Nessa segunda semana de agosto ocorrerá, na Semana do Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi, a exibição do curta "Contravenção", primeira ficção da Companhia Bueiro Aberto feita em co-produção com a Barreto Filmes. O evento contará com debates, oficinas, palestras e a Mostra de Curtas SAUAM, é organizado pelo curso de cinema da mesma universidade. espaço ideal para cinéfilos e amantes da sétima arte em geral.

"Contravenção" foi filmado na cidade de Guarulhos com cenas realizadas pelas ruas da periferia, do centro, no ônibus, numa locação interna e no conhecido parque "Bosque Maia". Foi a primeira ficção que adentramos sem medo. Os produtores cinematográficos sabem que por mais que todos os gêneros sejam difíceis, a ficção, em última instância, é mas complicada que o documentário por envolver atuação, direção de arte, enfim, todo um aparato completamente criado pela equipe. Fazer isso sem recurso é um trabalho árduo, mas que compensa.

Foram cerca de 5 meses entre pré-produção, set de gravação e montagem final até termos concluído a obra. O curta conta a história de Fernando e Teresa, dois jovens trabalhadores da periferia saturados com o cotidiano do trabalho, com o caos da cidade onde as pessoas são como robôs programados para seguir o que manda o mundo do dinheiro.

Como escapar? Como podemos ter um momento sem utilidade para a lógica do lucro? Nessa sociedade capitalista, qualquer forma de escape se torna um crime. Eis aí a contravenção em que Fernando e Teresa se metem. Rejeitar a ordem do trabalho, descumprir as regras se torna um crime. E é justamente esse crime que move toda a trama. A desobediência de ambos pode ser tanto um ato de extrema violência como o assassinato e o canibalismo como a simples vontade de respirar o ar da natureza ou faltar um dia no trabalho.

Com fortes referências no cinema surrealista de Luis Buñuel (relação entre desejos e psicanálise), cinema pernambucano e cinema marginal, além da literatura de Kafka, o filme dá preferência para planos psicológicos numa fotografia focada nas expressões faciais das personagens, com a mistura da câmera estática no tripé e em movimento na mão. A trilha sonora, criada originalmente pelo músico Diogo Fonseca, segue esse caminho.

É nessa quarta, dia 12/08, a partir das 15:30, exibição do curta "Contravenção" na Semana de Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi, campus Mooca. O evento é gratuito e contará com exibições de curtas do mundo inteiro.

Confira a programação completa em: https://www.facebook.com/events/1416124038717568/




Trailer



Gravação no parque "Bosque Maia"

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Mostra Marginal de Curtas exibirá curta sobre Pagu e mini-doc atual


Nesse sábado, 01/08, a Mostra Marginal de Curtas no Sarau Carolina (organizada pela Companhia Bueiro Aberto em parceria com o Jornal Dialética) mantém sua programação mensal e sua tradição de exibir obras clássicas e atuais. O primeiro curta a ser exibido (Eh, Pagu eh!) é de 1982 e o segundo (Solidão) é de 2008.


EH, PAGU, EH!

Escritora, militante, antropofágica, revolucionária, são alguns dos adjetivos usados no curta "Eh, Pagu, eh!" para descrever umas das figuras mais impactantes da cultura brasileira, Patrícia Galvão, a Pagu. Desde muito cedo, ela não aceitou seguir os padrões impostos pela sociedade, se juntou com modernistas e propôs uma nova estética literária, participando de debates, escrevendo uma literatura combativa. Mas não foi apenas na escrita que ela se atreveu a criar, percorreu o teatro, o jornalismo, a crítica de arte, se aventurou pela vida política. Apesar de não participar da Semana de 22, quando só tinha 12 anos, suas ideias foram fundamentais na construção da proposta do movimento modernista brasileiro.

Como militante do PCB, se envolveu em greves e manifestações, sendo presa mais de uma vez pela ditadura vargas, torturada, perseguida, rompeu com o PCB, mas se manteve na militância política, sobretudo na defesa dos pressupostos feministas. Mulher, artista e lutadora, Pagu foi capaz de sonhar com outra sociedade, sempre de forma explosiva, visceral, na ousadia que marcou sua trajetória, rompendo preconceitos e ultrapassando barreiras

Casou-se com o também modernista Oswald Andrade, com quem teve uma relação intensa entre altos e baixos.

No estilo documentário, mas com passagens pela ficção, vemos a vida e obra da autora num filme que não se pretende jornalístico e somente informativo, a narração dos acontecimentos, o acervo de arquivos, a encenação são um mergulho pelo furacão Pagu, seus extremos, sua utopia, sua arte.

Nada tão propício para o Sarau Carolina do que relembrar pelo cinema uma artista desse porte.  O nome "Eh, pagu, eh!" é inspirado no poema de Raul Bopp:

Pagú tem uns olhos moles
uns olhos de fazer doer.

Bate-coco quando passa.
Coração pega a bater.
Eh Pagú eh!
Dói porque é bom de fazer doer 


DIREÇÃO: Ivo Bueno
ANO DE PRODUÇÃO: 1982 
DURAÇÃO: 15 min.


SOLIDÃO

"Solidão" é um curta contemporâneo que adentra as perspectivas de um jovem anônimo sobre a existência, a morte, o universo... Um indivíduo que não tem nada de especial e por isso mesmo tem tudo, sua singularidade. É incrível como através do depoimento espontâneo percorremos temas tão profundos para o pensamento humano. Por trás de todas as divagações advindas da conversa, mora a solidão do personagem, consigo mesmo ele tem sua concepção sobre o mundo que aí está. Na verdade, existe um mundo dentro dele, desvendado pelo cineasta. A solidão dele reflete a solidão social que está tão presente nos tempos atuais.

A fotografia parece confusa, mas é justamente essa confusão que expõe a coerência dos planos, boa parte detalhes do corpo e da cidade, exemplo do rosto visto pela metade. É como se a câmera fosse lá dentro do mundo criado pelo jovem, propondo a experimentação que vai se fazendo até construir a unidade cinematográfica. Soma-se isso à trilha sonora frenética e instigante que em nenhum momento cessa de tocar.

Podemos pensar: o que levou o diretor (que é também roteirista, câmera e editor) a procurar esse menino? Nos últimos anos, o documentário brasileiro tem tomado novos contornos, se abrindo para temáticas não tão lógicas e fechadas, com entrevistados que não são necessariamente autoridades nesse ou naquele assunto. Em certas obras, a pessoa que fala não é tão real quanto parece, é um ator interpretando seu papel, o que ocasiona interessante mistura entre ficção e documentário. Seria o entrevistado de "Solidão" um ator, não saberemos, nos deparamos com o monólogo de um estranho e solitário personagem. Comum e louco, visionário e normal.

DIREÇÃO: Ciro Maccord
ANO DE PRODUÇÃO: 2008
DURAÇÃO: 5 min.






Frase da revolucionária Patrícia Galvão, sua posição política é enfatizada no curta de "Ivo Bueno"




Trecho do curta "Solidão", a fotografia de planos detalhes se encaixou muito bem na proposta de retratar a solidão de um jovem

segunda-feira, 20 de julho de 2015

"Numa roda de choro" terá exibição no Espaço Garrincha nesse sábado


Do nossa relação com as diversas manifestações culturais da periferia, nas quais participamos, veio a ideia de começar a retratá-las no cinema. Além de um filme experimental sobre samba (Bamba de Vila, já lançado), fizemos um sobre viola caipira e nordestina, mais trabalhado (Viola Urbana, em processo de montagem) e outro sobre choro. "Numa Roda de Choro" terá exibição esse sábado no Espaço Cultural Mané Garrincha, em Sp.

O filme surgiu do contato com Luis Macambira, pertencente a uma tradicional família de choro, há anos ele usa seu quintal para reunir artistas populares numa roda descompromissada. Diversos clássicos do choro e do samba são relembrados entre cervejas, petiscos, risadas, discussões. São amigos que gostam de música boa. E isso é o que os move.

Antes a roda era composta pela velha guarda da família Macambira: os tios de Luis, que tocaram com grandes nomes da música brasileira como Arauto Santos e Paulo Vanzollini, costumavam juntar artistas de peso no seu quintal. A nova geração não deixou de lado e assumiu o posto, outros nomes passaram a marcar presença e mantém viva a roda que ocorre praticamente toda semana no bairro Inocoop, cidade de Guarulhos, grande SP.




Roda de choro na casa de Luis Macambira em 2002


Quando chegamos para as filmagens, trazíamos na bagagem, além do gosto pela cultura da quebrada, as referências do cinema novo, sobretudo de Leon Hirszman, que fez diversos filmes sobre cultura popular, a câmera na mão foi nossa proposta estética principal, a lente estaria lá dentro da roda, como mais uma participante do processo.

Luis Macambira, com seu gênio forte, já saiu dizendo "- Pode filmar essa bagaça que aqui é nóis, música boa é o que não falta!" E já mandou descer uma cerveja pra equipe, apresentou um cara do bandolim: "- Esse é bom!", tomou uma dose de cachaça e relembrou histórias dos discos gravados pelos seus antepassados. Depois nos alertou " - Quero ver o que você vai editar, vê cê não coloca todas as merdas que a gente fala!" Após algumas gargalhadas, expliquei que o roteiro era livre, entraríamos na roda, às vezes com algumas perguntas, mas dispostos a filmar o que fosse acontecer e que não precisava se conter, o filme pedia a liberdade daquele encontro. Estávamos em casa e tínhamos a certeza de que ali se unia a música e o cinema.

Gravamos 8 horas de arquivos que viraram 32 minutos. Para nossa grata surpresa, além das peças de variados compositores, a roda virou um acirrado debate acerca da identidade cultural brasileira, as influências que permeiam nossa música, a relação com o processo histórico, a mídia... Enquanto a cerveja continuava na mesa e a alma nas mãos.

No processo de montagem, ainda criamos a figura de um poeta boêmio pra homenagear a beleza do choro: "O meu choro desaguou numa roda de choro, fiz do samba meu coro, nas cordas do batuque, na batida do violão, toca meu consolo, minha canção".

Produzido pela Companhia Bueiro Aberto em co-produção com a Barreto Filmes, a película foi feita sem recursos e de forma totalmente independente. Teve sua estreia na própria casa de Luis Macambira e agora será exibido no Espaço Garrincha,

DATA: 25/07, Sábado
HORÁRIO: 19 hrs.
LOCAL: Espaço Cultural Mané Garrincha
ENDEREÇO: Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé (próxima à saída pelo poupatempo do metrô Sé)






ROTEIRO E DIREÇÃO: Daniel Neves
PRODUÇÃO: Diogo Fonseca
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Jimmy Andrade
MONTAGEM: Daniel Neves
EDIÇÃO: Ton Neves

ANO DE PRODUÇÃO: 2015
DURAÇÃO: 32 minutos

TEXTO ESCRITO PELO DIRETOR DANIEL NEVES